Solidariedade em Portugal

10.000 voluntários para uma sociedade melhor: retrato da solidariedade em Portugal

Portugal é um país solidário. Evidenciado quando decide-se em ajudar aqueles que foram vítimas de uma catástrofe humanitária: o terremoto do Haiti, o tsunami do sudeste asiático…

Contribuímos com o nosso grão de areia, na maioria das vezes, de forma econômica e, às vezes, de maneira compulsiva. Mas, longe do foco da mídia, na sociedade, há aqueles que dedicam o seu tempo livre durante todo o ano a diferentes causas, sociais ou ambientais. Não se lhes vê, mas nós nos cruzamos com eles todos os dias. Quem são? Onde vivem? Quantos anos têm? Aqui está a radiografia do voluntariado em Portugal.

 

Mais mulheres do que homens

Para medir o índice de atividade solidária em nosso país, em primeiro lugar, temos que fazer um desenho geral da situação. O relatório “A ação voluntária: solidariedade e juventude em Portugal‘, elaborado pela Plataforma do Voluntariado em Portugal, começa a distinguir entre as pessoas que colaboram financeiramente com ONGS, que fazem um voluntariado ativo, as que combinam ambas as ações e as que não colaboram de forma alguma.

O 32,6% da população espanhola colabora financeiramente com organizações não-governamentais, mas se falamos de voluntariado vivo, a cifra mais baixa. Em Portugal se reduz ao 9,3%, cerca de 3,7 milhões de espanhóis.

Por zonas geográficas, o contexto está razoavelmente diversificado. Galiza está a cabeça, com 14,7% de voluntariado, seguida pela Andaluzia, com 11,7%. As diferenças que podemos observar ao analisar o tipo de colaboração: enquanto a economia está nas regiões central, nordeste e Canárias, o voluntariado está mais focado nas zonas norte, noroeste e sul.

Focar exclusivamente em actividades de voluntariado, como ocorre no conjunto da população, há mais mulheres (54,4%) do que homens (45,6%). O índice de voluntariado das mulheres é de 9,9% e o dos homens, de 8,7%.

Em função da idade, a relação é inversa: quanto maior a idade, menos voluntariado. O corte ocorre a partir dos 45 anos, quando o índice em relação à média. O maior percentual de pessoas voluntárias ocoorre no trecho de 14-24 anos, um dado que é interpretado como positivo, pois garante o relevo geracional.

A idade também influencia o tipo de voluntariado, e, neste sentido, também estabelece certas lacunas em são paulo. O voluntariado social é o majoritário em qualquer grupo de idade, mas outros, como o ambiental, educacional ou desportivo podem variar em função dos interesses de cada geração.

Atendendo à situação laboral de cada pessoa, destaca-se o percentual de alunos que são voluntários e voluntárias, muito acima da média. Além disso, este índice coincide com o alto percentual de pessoas sem funções de sustentação em casa, que se pressupõe que são, acima de tudo, filhos e filhas.

As empresas se unem ao voluntariado

É uma das tendências dos últimos anos: o voluntariado corporativo, regulamentado através de lei a partir de 2015, marca um antes e um depois no caminho para a conscientização de toda a sociedade. Assim revela o ‘Observatório de voluntariado corporativo’, que fez uma radiografia da situação no nosso país, depois de consultar com 132 empresas e 27 ONG espanholas.

De acordo com os dados recolhidos, na Espanha, 66,7% das empresas pesquisadas há voluntariado corporativo, enquanto que na américa Latina este número eleva-se a 86,9%, uma diferença que podemos culpar o fato de que o grau de desenvolvimento social no ambiente latino-americano facilita um contato mais direto das empresas e dos voluntários com as necessidades sociais de seu entorno.

Mais revelador é o fato de que um 20,7% das empresas restantes tem interesse em começar a fazê-lo no médio prazo (em 2013, este valor era de 73%).

Atendendo ao número de trabalhadores, descobrimos que o voluntariado corporativo é uma prática muito generalizada entre as grandes empresas; é nas pequenas (com menos de 200 trabalhadores), onde ainda é necessário fazer mais.

Além disso, o voluntariado corporativo já não se reduz aos trabalhadores, mas que estes vão ampliando seu raio de ação e comprometendo cada vez mais pessoas.

Assim, 49% das empresas pesquisadas abre seus programas aos familiares dos funcionários, uma percentagem que pode responder ao fato de que muitas empresas desenvolvem seus programas durante o tempo livre, favorecendo tanto a participação dos funcionários como a conciliação entre a actividade proposta pela empresa e vida pessoal do voluntário.

10.000 voluntários para uma sociedade melhor

Um dos exemplos mais claros em voluntariado corporativo é CaixaBank, que promove que seus funcionários participem em iniciativas diversas, de forma altruísta e solidária, fornecendo ajuda aos grupos mais vulneráveis, com o objetivo de gerar um impacto social positivo. A entidade, juntamente com a Fundação Bancária da Caixa, impulsiona a Associação de Voluntários da Caixa, um dos maiores movimentos solidários do nosso país.

Seu grande evento é a Semana Social e a Semana do Voluntariado Corporativo. Realizada de 7 a 15 de abril, este ano contou com mais de 10.000 voluntários, 1.500 instituições sociais locais e mais de 3.500 atividades, entre as quais se destacam as que têm como objectivo o apoio a pessoas com problemas de saúde ou com deficiências (36%); que contribuem para a luta contra a pobreza (23%); atividades lúdicas para crianças e idosos (18%); contra a exclusão social dos imigrantes (7%); impulso à cultura e educação (10%); a promoção da inserção no mercado de trabalho (3%), e atividades relacionadas com a ciência, o meio ambiente e a pesquisa (1%).

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